Lusitânia Lourosa, 2 - SC Beira-Mar, 1(0-1 ao intervalo)
Este "post" deveria falar de futebol, dos verdadeiros protagonistas do jogo (os jogadores), das estratégias escolhidas pelos treinadores para abordarem a partida e do relato das jogadas que trazem a emoção e agitam os corações dos adeptos. Mas a verdade é que hoje, não falo das defesas do Ricardo, dos cortes imperiais de cabeça do Facris, dos "carrinhos" do Bryan, das recuperações de bola do Vaz, dos dribles do Hugo Seixas, dos spints e cruzamentos do Nelson, dos golos do Mathieu, das diagonais do "Bolaxa", nem das habilidades de todos os outros atletas que compõem o plantel júnior do SC Beira-Mar. Tão pouco se o 4x3x3 era a táctica mais adequada para este jogo ou se o "losango" não teria sido preferível.
Aqui há uns anos, a propósito de uma grande manifestação de protesto, contra uma medida impopular do governo de então, o Presidente da República colocou-se ao lado dos manifestantes, dizendo que eles tinham "o direito à indignação". Pois é aquilo que agora, a propósito do sucedido no passado sábado em Lourosa, nós também pedimos.
O palco era o campo do Lourosa, quem deveria ter saído em cena eram as equipas de juniores do Lourosa e do SC Beira-Mar, mas foi um senhor Luís Miguel Rodrigues Guimarães, o árbitro da AFA, designado pela FPF para dirigir este jogo da 6ª jornada do campeonato nacional da 2ª divisão, o verdadeiro protagonista do espectáculo.
Já dizia a minha avó, "não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu". Passo a explicar: verifica-se, muitas vezes (demasiadas), que os árbitros exageram no poder absoluto que lhes é conferido e vêem, no decorrer do tempo de um jogo, a oportunidade para se afirmarem e para terem o seu "momento de glória". No fundo, para terem aquilo que lhes falta no seu dia-a-dia, na sua vida corrente. E quanto mais débil for a sua formação (e nem falo em formação académica, mas sim formação moral, cívica, de cidadania), pior.
O que é que se passou em Lourosa? Desde o início do jogo que o Sr Luís Guimarães procurou encostar a equipa do Beira-Mar à sua baliza, marcando faltas sucessivas (mais de 50), não permitindo o mínimo contacto físico, ainda que legal. Com isto não deixava avançar os aveirenses no terreno e permitia ao Lourosa estar constantemente a despejar bolas na nossa área. Foi um milagre termos chegado ao intervalo a ganhar (0-1), com um golo do Renato. Na 2ª parte, cerca dos 10' de jogo, o Lourosa empata, num lance de fora de jogo escandaloso. Na sequência do golo, o guarda-redes Ricardo é expulso. Esta decisão haveria de ser aplicada, mais tarde, também ao Facris (duplo amarelo inexplicável). Ficámos a jogar com 9, mas o filme (de terror) ainda não tinha acabado. Com 5 minutos para lá dos 90, o nosso guarda-redes Cirineu, que entrara aquando da expulsão do Ricardo, é abalroado (literalmente) por um jogador da casa, o homem do apito nada assinala e o lance segue para o 2-1 final. Acresce ainda que foram expulsos, também, o jogador Mathieu, quando se encontrava em aquecimento, mais o treinador e o massagista. Foi um fartar, vilanagem!
O grupo está revoltado, viram frustrados os esforços de toda uma semana de trabalho por um senhor que quis mostrar quem mandava, que era ele o dono do jogo. Senhores da FPF, da AFA, digam a estes senhores que apliquem apenas as leis do jogo (são poucas e simples) e que usem, depois, a do bom-senso, em vez daquela que para eles é a 1ª, a da arrogância, do "quero, posso e mando", do "ou te calas ou vais para a rua". Que deixem, em suma, de ser protagonistas.
Quanto a nós, pessoal, perdemos apenas três pontos, a procissão ainda vai no adro e não podemos perder a cabeça, nem desmoralizar, quando se nos deparam estas injustiças. Temos de estar unidos, de ser fortes, de saber enfrentar estas contrariedades. Ninguém nos vai derrubar. E é com golos que temos de dar a resposta. As armas são desiguais e já sabemos que, com protestos no campo de jogo, ficamos sempre a perder. Não vamos protestar em campo, vamos fazer golos.
Lavremos, aqui, o nosso direito à indignação...
Por respeito aos jogadores, deixamos a constituição da equipa neste jogo de má memória:
Ricardo Barros (GR); Ibraihma, Facris (cap), Renato e Berna; André Vaz, Francisco Griné (Cirineu, 57') e Filipe Vieira; Igor (Nelson, 66'), Hugo Seixas (Nilson, 74') e Nuno Silva.
Suplentes não utilizados: Granja, Mathieu, André Aranha e Bryan.
















